sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Consciência corporal

"(...) sua postura era realmente perfeita, e ela tinha uma maneira de sustentar a cabeça que (...) a assinalava como uma rainha (...). Maria Antonieta despendera horas de treino antes de conseguir executar o 'deslizamento de Versalhes' sem um passo em falso. Mover-se dessa maneira etérea, sem esforço, não era um feito desprezível nas melhores circunstâncias, muito menos entre a profusão de obstáculos espalhados pelos assoalhos na corte Bourbon. O interior do palácio não primava pela limpeza, e os que se locomoviam por seus corredores tinham de se afastar de tudo quanto há, desde fezes dos bichos de estimação do palácio até restos de comida que criados descuidados deixavam cair ou lama trazida pelos pés de mascates e turistas." (trecho do ótimo livro A Rainha da Moda - Como Maria Antonieta se Vestiu para a Revolução, de Caroline Weber)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Meninas de vidro

www.kimsimonsson.com

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quando crescer vou querer me vestir assim

Aquilo que é divino dispensa comentários mas requer apresentação: desfile do belga Dries Van Noten (Spring 2009).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Imagem do dia

PS: Não tenho nada contra PCs.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Será?

"A partir dos trinta anos, desabituamo-nos de olhar para as pessoas que se cruzam conosco. Como se disséssemos: inscrições fechadas. Na infância, bastava um miúdo gostar do mesmo bolo que nós para lhe perguntarmos: 'Queres ser o meu melhor amigo?'. Depois deixa de haver o melhor - entramos na idade das equivalências." (Inês Pedrosa)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sonho de consumo

*Se és capaz de manter a calma quando todos à tua volta perdem a cabeça e te jogam a culpa

Se confias em ti quando todos duvidam e és capaz de relevar o descrédito alheio e, mesmo enganado, não lanças mão da falsidade e, mesmo odiado, não disseminas o ódio e não pareces bom demais, nem pretensioso

Se consegues sonhar sem te embriagares com os sonhos

se consegues pensar sem tornar os pensamentos tua meta

Se sabes lidar com o Triunfo e o Fracasso sem te deixares dominar por esses dois impostores

Se suportas ouvir a verdade que disseste deturpada pelos patifes para enganar os tolos e ao presenciar o colapso das coisas que te são mais caras te inclinas para reconstruí-las sem qualquer ferramenta além das tuas próprias mãos

Se és capaz de juntar todas as tuas coisas e arriscá-las num simples lance de cara-ou-coroa e, perdendo, recomeçar tudo de novo sem jamais lamentar as perdas

Se consegues forçar teu coração, teus nervos e teus tendões a trabalhar para além do ponto de exaustão e a resistir quando já nada mais te resta senão tua Vontade que ordena: "Firmes!"

Se és capaz de não te corromperes no meio da plebe e de não perderes a naturalidade junto aos poderosos

Se nem inimigos nem amigos queridos conseguem te ferir

Se todos te cortejam mas ninguém em demasia

Se preenches cada minuto fugaz com sessenta segundos de vida vivida

A Terra é tua, com tudo aquilo que há nela e – o que é mais importante –tu serás um homem, meu filho!

Rudyard Kipling

*"Roubei" do blog Desculpe a Poeira.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Então, pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas, depois, vesti meus gestos insensatos e colori as minhas mãos e as tuas. Para extingir em nós o azul ausente e aprisionar no azul as coisas gratas, enfim, nós derramamos simplesmente azul sobre os vestidos e as gravatas. E afogados em nós, nem nos lembramos que no excesso que havia em nosso espaço pudesse haver de azul também cansaço. E perdidos de azul nos contemplamos e vimos que entre nós nascia um sul vertiginosamente azul. Azul. Ontem eu usava minhas sapatilhas de plástico azul Bic e a minha amiga Wildi Celia, que reencontrei depois de uns anos, recitou esse Soneto do Desmantelo Azul. O autor é o poeta pernambucano, que eu não conhecia, Carlos Pena Filho. Ele nasceu em 1929 e morreu jovem. Como é bonito a pessoa saber de cor (e inteirinha) uma poesia que ela guarda para si!

domingo, 10 de agosto de 2008

sábado, 9 de agosto de 2008

Questão de tempo

"É verdade que não procedi com as regras da estética! Decididamente não entendo por que é mais glorioso bombardear uma cidade que matar alguém a machado! A preocupação estética é o primeiro sinal de fraqueza! Nunca o senti melhor do que hoje e cada vez compreendo menos qual é o meu crime!" (Fiódor Dostoiévski, em Crime e Castigo)

Você acaba de ler um livro muito bom e tem aquela sensação de missão cumprida. A edição é aquela de bolso da Ediouro (330 págs.), bem barata, que você comprou quando ainda estava na faculdade. O mundo diz que Crime e Castigo é uma obra-prima e seu professor de literatura brasileira impõe: "Não morram antes de ler Crime e Castigo". Ok, você começa a ler a tal edição de bolso e não consegue passar da vigésima página. Então deixa a obra-prima de lado, mas ainda sem se resignar com a própria burrice. Meses depois, você volta ao livro e... não consegue nem chegar à cena do assassinato (pág. 54)! O livro é (fala baixo)... chato? Ele volta para a estante e fica lá durante anos (quatro, cinco?). A terceira tentativa de fazê-lo deixar de ser um mito na sua vida acontece e você tem verdadeiros momentos de felicidade lendo esse exemplar, já com as páginas cheias de pintinhas castanho-claras, mas há também lugar para o mais profundo tédio e você demora dois meses para chegar à página 288. Você pára e decide interromper a leitura (por acaso alguém a obrigou a lê-lo???). Faltam 42 páginas para liquidá-lo e você resolve "ler outras coisas"... Mas ele ficou lá, na mesinha ao lado da cama, dizendo "bom dia!" persistentemente todo santo dia, durante pelo menos um mês. Ah, não! Desafio assumido, você pega o livro e... calma! "Ainda não! Deixa eu ler umas outras coisinhas aqui." A pobre leitura obrigatória fica mofando no seu colo por quatro dias consecutivos, quando finalmente você reage: "Me dá esse negócio aqui!"

Você acaba a experiência com um brilho nos olhos (sim! você o leu inteirinho!!) e finalmente percebe que não, você não é limitada. E que não, Crime e Castigo não é chato. Você está apenas diante de uma edição mal traduzida, NÃO REVISADA, com letras microscópicas e FEIA!

E entende do que é capaz um grande escritor. Dostoiévski venceu. Viva!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

É tudo chiclete!

Esse é o material usado pelo artista plástico italiano Maurizio Savini para criar suas esculturas, digamos, divertidas-esquisitas... (www.pastificiocerere.com)

domingo, 20 de julho de 2008

Bonito de doer

Acordar e ver o mundo em imagens ultra-impressionistas por vários anos nunca foi um drama pra mim, ex-míope de 7,5 graus em um olho e 6,5 graus em outro. As lentes de contato eram acionadas rapidinho e pronto. Até que um dia cansei, tomei coragem e fiz a tal cirurgia que dura exatos 10 minutos nos 2 olhos. No dia seguinte à intervenção abri os olhos e enxerguei o mundo de verdade, sem acessório e (juro!) em cores mais intensas. Como é ruim ver o mundo embaçado (sem ter feito essa escolha, claro) e, pior, por um olho só! É isso o que nos propõe o diretor Julian Schnabel em O Escafandro e a Borboleta, filme baseado na história (verídica) de Jean-Dominique Bauby. O editor da revista Elle, de 43 anos, sofre um derrame cerebral e adquire como seqüela a rara síndrome de locked-in, que o impede de falar e movimentar-se, além de obrigá-lo a ver o mundo por um olho só. Com ironia (Jean-Dominique sabe rir de si mesmo) e poesia, Schnabel nos faz chorar sim, mas sem lição de moral nem pieguice. Durante a projeção fiquei um bom tempo muito desconfortável, com certa falta de ar e as mãos contraídas (a câmera nos obriga a ver tudo pelo único olho de J-D), e demorei pra me emocionar. Pensei: "Estou gostando deste filme, a fotografia é arrebatadora e a trilha sonora, maravilhosa, então, ok. Tudo sob controle". Ok, nada. De repente, veio chegando aquela emoção muda, diferente das explosões que temos em certos filmes bobos (por exemplo, O Casamento do Meu Melhor Amigo. É... eu choro com esse filme) ou filmes sérios que não considero piegas (Mar Adentro me deixou com a cara amassada de tanto chorar)... Passa longe de piedade o que sentimos pelo protagonista de O Escafandro..., que também nos faz rir com suas observações lúcidas e às vezes cínicas sobre a vida. Aliás, não sentimos nada por ele. Nos sentimos ele, que sabiamente parafraseia o poeta: "Só os idiotas riem quando não há graça".

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Olhei e não vi

Sim, eu já tinha visto as pinturas de Marc Chagall, mas certamente não as enxerguei... Tenho a sensação de estar sendo apresentada a ele só agora e sinto que, nossa, descobri a América! Ma-ra-vi-lho-so! Ele mistura as cores de um jeito inusitado e tem uma simplicidade nada banal. Apaixonei!!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sem porquês, por favor

Este quadro é do pintor russo Marc Chagall (1887-1985) e se chama The Blue House (1917). Eu só cheguei nele porque fiz uma busca no Google quando estava lendo Kyoto, do japonês Yasunari Kawabata (1899- 1972), e a protagonista do romance disse que se recolheu em seu quarto e abriu os álbuns do pai com desenhos de Paul Klee e Chagall. Mas e daí?
E daí que eu não consigo parar de olhar e achei melhor guardá-lo aqui pra espiar sempre...

sábado, 5 de julho de 2008

Pra levar na carteira sempre

“Mala como livro, e livro como bagagem. Porque a vida é algo que se leva às costas, com custo, ou sobre as mãos, com delicadeza.” (Ondjaki)

O melhor é quando conseguimos escolher a leveza naturalmente... "Roubei" esse trecho de um blog recém-descoberto que adorei e já incluí nos meus favoritos (sweetestperson.wordpress.com).

domingo, 22 de junho de 2008

Pausa para o chá

Coitado deste blog... Tá mortinho mortinho (né, Fla?!). Mas acabo de ressuscitá-lo por uma boa causa: ontem vimos, em DVD, o filme (acho que é russo) O Pequeno Italiano, de Andrei Kravchuk (prazer, nunca tinha ouvido falar...), e terminei a sessão chorando como há muito tempo não acontecia. A história do russo de 6 anos que mora em um orfanato e está para ser adotado por um casal italiano poderia ser um clichê só. Mas a atuação segura do protagonista (foto), Kolya Spiridonov, salva o filme da pieguice. O menino, na iminência de ir morar com sua família postiça na Itália, sai em busca da mãe biológica numa verdadeira corrida de obstáculos que inclui aprender a ler e se defender sozinho dos "perigos da noite". Kolya é um show à parte: verdadeiro como poucos atores, natural (muitos atores de teatro deveriam fazer aulas com ele!) e, não posso deixar de dizer, foooooofo demais!!!
Da série "Filmes que olhamos na prateleira da locadora e não damos nada por ele". Ótima surpresa.

terça-feira, 6 de maio de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

Quem vai assistir a uma obra-prima (é, chamar de "filme" é pouco...) do diretor taiwanês Wong Kar-wai já sabe o que esperar: fotografia primorosa, trilha sonora perfeita, atuações precisas, figurino maravilhoso, bom roteiro e um olhar sempre delicado e minucioso sobre tudo. Um Beijo Roubado é seu primeiro filme falado em inglês e não empolgou a maioria dos críticos. Não sei por quê... Continuam ali todas as qualidades do mestre e um adicional: ele, que adora tratar dos desencontros amorosos com pitadas de nostalgia e melancolia, mudou o final da história e terminou surpreendentemente de um jeito esperançoso!
Saí do cinema feliz, com vontade de usar mais vestido com salto (as mulheres de Kar-wai são sempre tão femininas e lânguidas!) e de comer aquela torta de blueberry...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Saber esperar é uma arte

Katsushika Hokusai (1760-1849): "Amo a pintura desde que tomei consciência dela, aos 6 anos. Aos 50, produzi alguns desenhos que considero razoáveis, mas nada que fiz até os 70 anos é realmente digno de menção. Aos 73, finalmente compreendi cada aspecto da natureza vital dos pássaros, animais, insetos, peixes, plantas e árvores. Quando eu tiver 80 anos, terei feito um progresso ainda maior, e aos 90 realmente dominarei todos os mistérios da arte. Quando eu tiver 100 anos, a minha arte será verdadeiramente sublime, mas minha meta final só será alcançada aos 110 anos: então, cada ponto, cada linha que eu desenhe terá uma vida própria".

"Roubei" esta reflexão de um blog que acabei de descobrir, o Máquina de Escrever (lucianotrigo.blogspot.com).

sexta-feira, 28 de março de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

Like a rolling stone

Não Estou Lá é daqueles filmes que não te pegam pela emoção (pelo menos, não pra mim...), mas pelo pensamento, pelo prazer de refletir sobre as coisas da vida. O diretor Todd Haynes convidou alguns ótimos atores pra viver diferentes facetas de Bob Dylan (será que ele já "se" assistiu?!) e podia ter feito um filminho chato, cheio de citações e nostalgia boba, ou criado um simples pretexto pra mostrar como os atores "encarnaram" bem o mítico poeta, ou melhor, contador de histórias, como ele mesmo se autodefiniu um dia... Mas o que temos é uma mistura de sonho, com levíssimas pitadas de documentário, com caixa de recordações, com circo de horrores (tipo As 7 Faces do dr. Law, que eu seeeeeeeeempre via na Sessão da Tarde), com profecia. O filme me fez descobrir que é mentira que eu não gosto de ler poesia (como às vezes eu acredito), mas que ela tem de ser curtida sem excesso, em doses homeopáticas, senão você passa por cima dela e não a enxerga.

A coisa que mais ficou martelando na minha cabeça foi o que disse o "Bob Richard Gere Dylan":

"Muitos clamam por liberdade. Viver por muito tempo de um determinado jeito soa como falta de liberdade..."

*Fui na sessão das 13h30. Adoro ir ao cinema nesses horários "proibidos" durante a semana, que só vai quem é freela (como eu), quem está com a vida ganha, ou em fase escolar, ou na "melhor idade", faixa etária predominante. Eu entrei primeiro que todo mundo (comigo, 5 pessoas ao todo) na sala e fiquei lendo um caderno de anotações. Em seguida, entrou um senhor distinto, de bengala e disse bem alto: "Este filme deve ser uma porcaria, não tem ninguém no cinema!". Aí ele me viu e aconselhou: "Não fica forçando a vista desse jeito!"

quinta-feira, 13 de março de 2008

Pedágio

Só hoje fui ver o filme Piaf . Bem que me avisaram pra levar o lenço, mas esqueci... Que vida a dela! Tão bonita quanto triste. Pensando bem, não foi bonita, estou glamorizando... Foi intensa, isso sim. Lembrei muito da Billie Holiday e da Amy Winehouse e fiquei me perguntando se elas não pagaram (am) um preço alto demais por serem geniais... Acho que pra nascer assim com um talento acima da média tem pagar pedágio pro céu, né? Bom, eu na minha mediocridade amo essas vozes e só tenho a agradecer aos anjos...