"Um livro tem que ser um machado para o mar congelado dentro de nós."
Franz Kafka
Interessante, incômodo, fofo, diferente, tudo isso ao mesmo tempo. Assim é o filme A Garota Ideal, de Craig Gillespie. Na verdade não consigo "classificá-lo", ele fica num espaço "estranho" dentro do meu chip... Engraçado como precisamos (ou sou só eu?) de arquivos pra ir colocando as experiências, as coisas, enfim, pra que cada coisa fique no seu "devido" lugar. E as coisas (muitas) que ficam sem lugar próprio? Onde a gente coloca?
Este filme me causou um desconforto parecido com aquele do sapato que aperta a bolha do dedinho insistentemente, mesmo com o inútil Band-Aid estando lá. E me fez pensar no inclassificável nosso de cada dia...
"Dois" - Tiê
Como dois estranhos,
cada um na sua estrada,
nos deparamos, numa esquina, num lugar comum.
E aí? Quais são seus planos?
Eu até que tenho vários.
Se me acompanhar no caminho, eu posso te contar.
E mesmo assim, eu queria te perguntar,
se você tem aí contigo alguma coisa pra me dar,
se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?
E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
e você vai me ensinar as suas verdades
e se pensar, a gente já queria tudo isso desde o início.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.
E mesmo assim, queria te contar
que eu tenho aqui comigo alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.
"É verdade que os países mediterrâneos são os únicos em que posso viver, que eu amo a vida e a luz, mas é verdade também que o trágico da existência fascina o homem e que o silêncio mais profundo faz parte dela. Entre esse avesso e direito do mundo, eu me recuso a escolher."
Albert Camus, em "O Avesso e o Direito"
A cultura japonesa me encanta em muitos aspectos e não foi à toa que eu fui parar na Fundação Japão (SP) pra fazer um curso sobre japonismo. Lá descobri que os japoneses influenciaram totalmente os impressionistas europeus. Lá na Fundação Japão também fui ver uma palestra do designer Jum Nakao e cheguei a ficar emocionada. Me encanta também o trabalho dos estilistas japoneses Issey Miyake e Yohji Yamamoto. Passear no bairro da Liberdade (SP) também me deixa feliz... Talvez o mais encantador dessa cultura - e que se manifesta no acabamento final de um simples pacote de bala ou nas mínimas atitudes - seja a ausência completa de displicência em todas as esferas de seu pensamento. Nada é arbitrário, nada é "de qualquer jeito". Isso fica claro no filme A Partida, do diretor Yojiro Takita. O personagem Daigo toca violoncelo numa orquestra que vai à falência e é fechada. Endividado pela compra do instrumento e no olho da rua, ele arruma um emprego de agente funerário. O trabalho inusitado requer a manipulação de pessoas mortas, desde transportá-las ao caixão até maquiá-las e vesti-las. O cuidado com que isso é feito revela muito do jeito japonês (talvez oriental?) de enxergar o mundo. Idealizações à parte, o filme mostra um grau de delicadeza e cuidado poucas vezes manifesto no dia a dia. Imperdível!
Sonho de consumo: ser tranquila e infalível como Bruce Lee a maior parte do tempo
Intenção: não pensar tanto antes de fazer
Vontade: usar mais salto
Música que tá grudada na minha cabeça: "Moment of Surrend", do U2
Dúvida constante: esqueci o gás ligado?
Felicidade: ter uma sacada e um vaso lindo com o jasmim crescendo e florescendo
Meta: trabalhar com algo que faça sentido pra mim
Obsessão: amêndoa
Aqui e agora: maior qualidade de vida
Motivo: deu vontade de escrever