quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as move." Pina Bausch (1940-2009)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quando tudo faz sentido

Verão 2010 da Neon
Gosto muito de roupas, de ver desfiles e principalmente prestar atenção em como as coisas são coordenadas, combinadas, enfim, como o styling é feito (pelas "pessoas da vida real" também!). Não sou crítica de moda (nem tenho essa pretensão), mas, de temporada a temporada, em geral são os mesmos estilistas que me despertam vontades, ideias e sonhos até. Ficando só na moda brasileira, Alexandre Herchcovitch, Maria Bonita Extra, Ronaldo Fraga e Gloria Coelho sempre me dizem algo importante, mesmo que não me identifique com aquela coleção. A Neon fica sempre no rol do "lindo, criativo, coerente, mas eu não usaria... Não tem nada a ver comigo". No último São Paulo Fashion Week (que acabou dia 22), quando vi o desfile deles, continuei achando lindo, criativo e coerente, mas usaria vários looks, me deu vontade de ser um pouco aquelas imagens... Meu estilo não mudou. Tampouco a Neon "se desvirtuou". Desconfio que eles - Dudu Bertholini e Rita Comparato - foram geniais...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Chove...

...só um pouco, mas o suficiente para embotar o raciocínio. Ilustração de Eduardo Recife

quarta-feira, 10 de junho de 2009

667 dias

Para João

terça-feira, 9 de junho de 2009

Os lugares

Lendo o caderno Mais! da Folha de São Paulo do último domingo (7/6), voltei a pensar na relação dos nativos e estrangeiros com as cidades. Há uma entrevista com a socióloga argentina Beatriz Sarlo falando sobre Buenos Aires, um texto de Danuza Leão sobre Paris e outro do Nobel de Literatura Orhan Pamuk sobre Veneza. Exceto este último, que pareceu sondar a cidade italiana com o olhar de um estrangeiro encantado, tanto Beatriz quanto Danuza me deixaram um pouco decepcionada: onde estão as cidades quase idílicas de que ouvimos falar e que são sempre diferentes e melhores que as nossas?! Beatriz, ao falar de Buenos Aires, parece qualquer brasileiro discorrendo sobre as mazelas do lugar onde vive. Até aquela velha comparação da cidade portenha com Paris é posta em xeque por ela ("... quem conhece Paris sabe que não se parece com a capital argentina"). Ela está de bode até daquilo que nos parece um traço de politização (ao contrário de nós, 'tupiniquins cabeças ocas sem memória'): "... o lado sinistro do que acontece com a morte na Argentina, onde (...) vivemos discutindo o destino dos restos mortais das pessoas que foram importantes na história do país".

Danuza, que vive desde criança no Rio de Janeiro e já morou em Paris duas vezes - uma por dois anos e outra por cinco -, desmitifica a imagem do parisiense típico quando relata que por volta de 2000 o prefeito francês Bertrand Delanoë propôs a construção de prédios de mais de 200 metros nos arredores da cidade a fim de preservar a Cidade Luz como ela é, e qual não foi o espanto dele quando uma pesquisa pública mostrou que os parisieneses não concordavam com a ideia?? Ué?! Cadê os europeusconscientescultosquevalorizamaprópriahistória?

E agora? Com que vou sonhar?! Onde vou projetar minhas expectativas de cidade quase ideal?!

Prefiro ficar com a visão não menos lúcida de Orhan Pamuk, que diz que há lugares para todos os gostos: para se trabalhar, para passar férias, dos quais fugir, para se sentir triste e até para se morrer. Mas o lugar que escolhemos para viver tem que ser necessariamente parecido com a Veneza do escritor: para ser feliz.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Inspiração para um dia meio cinzinha

Sobre como ser fina fazendo misturas aparentemente improváveis...

Prada Resort 2010

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Outro olhar

Em tempos de mudança de casa, de ares, de perspectiva, de expectativa, recebi por e-mail a versão online do vídeo da artista Milena Galli (http://www.milenagalli.com/) feito em Hoyerswerda, na Alemanha, em agosto de 2008. Ela colocou a câmera num tripé e a máquina foi disparando a todo minuto. Foram mais de 4000 fotos editadas pela artista e depois animadas. Isso consumiu um mês e, em média, 6 horas de trabalho por dia. A obra me disse muito, me deu uma alegria parecida com aquela que vem junto com mudanças desejadas.
Bom, tentei postar o vídeo pra ele ficar já na tela e a santa pessoa que entrar no blog clicar e assistir, mas... definitivamente, sou péssima com apetrechos tecnológicos! Mas aí vai o endereço:

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pode entrar que a casa é sua

Não, eles não moravam em Paris, nem em Nova York, mas de uns tempos pra cá tinham a sensação de que, sim!, de uma vez por todas estavam vivendo num apartamento do Soho ou coisa parecida. O motivo? Andavam ouvindo uns barulhos estranhos vindos do teto... Ele sempre disse: "Ah, não! Decadence avec elegance não dá! Tô fora!" Ela dava um sorrisinho e retrucava: "Ah, é charmoso, vai!" E não é que o apartamento era, digamos assim, bem estilosinho? Ele com o tempo até foi encontrando encanto naquele canto e parou com essa "perseguição" às coisas do passado. Ela, por sua vez, começou a ter que se esforçar um pouco pra ver beleza naquele predinho de dois andares com a pintura pedindo outra demão. "Mas, tudo bem", ela pensava, "o nosso apartamento é um oásis, até parece um loft antiguinho!" Mas os barulhos no teto só aumentavam e eles já não tinham mais dúvida (embora ela tentasse se enganar): os amiguinhos (como ele se referia aos visitantes) eram ratos, e provavelmente muitos. Não, não se tratavam de pombos, muito menos de gatos como ela tentava crer. Os visitantes se mostravam cada vez mais audaciosos, basicamente estavam à vontade. Ele e ela que se adaptassem. Resolveram chamar o seu Fernando pra fazer a tal da desratização. Ele veio, jogou as iscas e garantiu que o produto era bom e que ela não se preocupasse com os cadáveres, "os roedores comem o negócio e viram pó". Ãhn?! Ok. Ele e ela só queriam paz, continuar achando aquele lugar um oásis, continuar a receber os amigos ali e ouvir "A casa de vocês é tão francesa!" Não precisava ter tanta semelhança assim... O processo da desratização ia de vento em popa, os bigatos (seres cilíndricos mais conhecidos como vermes, decorrentes da decomposição de cadáveres) apareciam aos borbotões. Ele segurava tudo com incrível bom humor. Ela sentia seus nervos desmoronarem a cada mínima pista de vida ou morte dos amiguinhos. Numa manhã de segunda-feira, após um domingo caçando vermes e encharcando a lavanderia com cândida ("seu Fernando falou que mata os bigatos!"), ela foi checar a área de serviço. Na sua cabeça transtornada havia uma sentença, praticamente uma certeza: "Qualquer hora, quando eu menos esperar, vou me deparar com o inimigo". Ela abriu a porta, viu mais uns vinte vermes agonizando e percebeu que o lençol amarelo que estava pendurado no varal havia fraquejado e arrastava no chão. A ponta do lençol pendia exibindo uma rodela branca com moldura cinza. Ela tentou puxar a roupa de cama para cima e sentiu um peso que explicava tudo. Ali jazia o inimigo. Ela fechou a porta com força, sentiu o terror tomar conta do próprio corpo e entre lágrimas foi acordá-lo. Ele acordou e, tranquilo e infalível como Bruce Lee, foi verificar o local do crime. Pegou o lençol no mesmo ponto em que ela o fizera e sorriu: "Que peso? Não tem peso... Você não disse que cândida não mancha a roupa?"

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Saber dizer

"Tinha um senso do cômico realmente precioso, mas precisava de gente, sempre de gente, para exercitá-lo, com o inevitável resultado de que perdia o tempo em almoços, em jantares, naquelas suas recepções, falando de tolices, dizendo coisas que nada significavam, embotando o fio do seu espírito, perdendo o discernimento." (Virginia Woolf em "Mrs. Dalloway")

Usar as palavras com propriedade e senso estético é de verdade uma arte!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mau-humorado chique

Guerras com o mundo, grandes e pequenas guerras internas, solidões... Gran Torino, filme mais recente de Clint Eastwood, mostra o quanto é gênio este ator/diretor e como soube envelhecer sem perder o frescor. Fazia um tempinho que não saía do cinema com aquele nozinho na garganta, mas não aquele das emoções fáceis que nos acometem (confesso!) em certas comédias românticas ou dramalhões familiares ou vendo o Fantástico domingo à noite. Foi aquele outro (nozão, na verdade), de emoções que vêm lá de não sei onde, aquelas bem silenciosas que teimam em aparecer quando você mais quer fingir que não estão lá... Walt Kowalski, personagem interpretado por Eastwood, é tão de verdade que não há como não se encantar por ele. Ranzinza sem meias-palavras, cheio de preconceitos, à primeira vista seria o típico antiherói da vez. Mas é vivido com tanta propriedade pelo ator que não há como não se identificar em alguns momentos, repelir em outros, compreender em outros, enfim, se envolver pra valer. Filme obrigatório em tempos de muito barulho por nada, ops!, por Quem Quer Ser um Milionário...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Tentativa de voo 1

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Estampa 2

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Uma parábola

"Era uma vez um jovem que foi até o palácio de um marajá (na época em que os marajás eram os sábios) e perguntou a ele qual a fórmula para se viver corretamente. O marajá, em vez de responder, propôs um desafio ao jovem: 'Vou encher uma colher com azeite e você vai percorrer todos os cantos deste palácio, mas não deixe derramar uma gota de azeite sequer'. O jovem saiu então com a colher na mão, andando com passos pequenos, olhando fixamente para a colher e segurando com tanta força que ficou cansado. Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido, mostra a colher ao marajá, que pergunta se ele viu os belíssimos quadros que estão nas paredes do palácio, se ele viu os jardins e as piscinas maravilhosas que estavam pelo caminho. Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não, e o marajá disse: 'Dessa forma você nunca encontrará a sabedoria. Vivendo só para cumprir suas obrigações, sem usufruir as maravilhas do mundo, você nunca será um sábio'. Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas que desta vez observasse tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esqueceu-se da colher e passou a observar os quadros, os jardins, os pássaros... Ao voltar, o marajá pergunta se ele viu tudo e o jovem, extasiado, diz que sim. O marajá pede que ele mostre a colher e o jovem percebe que derramou todo o conteúdo pelo caminho. E o marajá diz: 'Você terá de descobrir uma forma de cumprir suas obrigações, mas sem achar que o mundo é um fardo a ser carregado."

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Estampa 1

sábado, 31 de janeiro de 2009

Noite boa

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

Alguma coisa acontece...

É bastante comum eu ler qualquer texto que escrevi logo no dia seguinte e achar que não tem nada a ver... Parece uma espécie de ressaca... Não sei, acho que a pergunta que formulei no post anterior é ingênua...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

E agora?!

Assistindo à minissérie Maysa ando me deliciando com os figurinos da época e conhecendo uma grande cantora de quem eu apenas tinha ouvido falar. Pensando em música, há artistas que quando a gente escuta se emociona e fica contagiado sim, ok. Mas eles não mexem na alma de um jeito perigoso. Porém há outros que são de uma intensidade tamanha que a gente é obrigado a parar de ouvir. Parece que o ambiente vai ficando soturno... O Antony (do Antony and the Johnsons), por exemplo, tem uma voz estranhamente bela e canta com tanta tristeza que eu (juro!) não consigo ouvir! A Maysa é outra que, pelo jeito, é melhor ouvir em doses homeopáticas... Bom, que ela foi uma mulher à frente de seu tempo não é novidade. O que tenho me perguntado é: quem estaria à frente do nosso tempo? Existe isso ainda? Ou a gente só enxerga depois de se distanciar da época?! Não, a Madonna pode ter sido na década de 80, mas agora? Amy Winehouse não fez nada que o Iggy Pop não tenha feito na década de 60... Algum antropólogo me ajuda?!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Falha no sistema?!

Hey! Já pensei em matar este blog... É, afinal, pra que deixar uma coisa que a gente nem lembra que existe empoeirando sozinha num canto?! Por capricho bobo? Bom, a questão é que me apego e, embora em muitos momentos sinta que não tenho nada pra dizer (então é melhor ficar calada!!), em outros acho que ok, talvez não tenha coisas novas pra dizer todos os dias (será?! e quem tem?), mas o meu blog que nasceu de um exercício em um workshop é bonitinho até e merece viver sim... Deixa ele quieto no canto dele, tadinho... Todas essas voltas pra dizer que o texto publicado ontem (7/1/09), responsável por tirar a poeira deste coitado aqui e por inaugurar 2009 no coisasdefrozina, não foi escrito por mim. Faça um exercício de imaginação: visualize 08/09 ocupando um espaço no blogblaa.blogspot.com (visite!), onde deveria estar publicado. Meu marido, João, escreveu o texto e a intenção era que ele estivesse lá no blog dele, mas seu texto tem vida própria e resolveu mudar de ares, dar um passeio por aqui! Afinal, todo mundo tem o direito de ir e vir, né?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

08/09

Santos Preto/Ribeirão Santista: o negócio é conversar sobre amenidades. Todos saem satifeitos. Hora é a chuva, hora é sei lá o quê, e o tempo passa (para quem já não tem muito). A comida NUNCA está boa e olha que repetimos os pratos não para agradar... Não há sugestão que não tenha tentado, não há ideia nova. Como será daqui a pouco?! Um novo muro de Berlim se instala em quem sempre combateu o totalitarismo. A intimidade é reveladora. Os cansaços ficam nus! Preciso finalmente aprender a discutir sem empolgação, sem irritação, mesmo que cheio de boas intenções. Vive pelo e para os outros, já com poucas vontades (será?). A saga em torno do $. Freio de mão puxado... Cadê as poucas e boas coisas da vida?! Põe pra fora. Um olhar em cima de você, uma cópia, xô... Corpo fechado! Acho que tem condições de separar o joio do trigo. Aquele fitar de baixo para cima, comoção pura, amor puro, com fungadas de malandragem da boa! Arte: sinônimo de respeito ao espaço alheio. E peito aberto em tudo (será?). E ele não conversa, discursa. Viva Fidel! Nada como um bom habano. Ser marisco: rochedo de um lado, mar do outro. Go, Rocky! Desde 2007... Que venha 09!! Nem Maysa, nem Antônio Nóbrega (esse, uma mala por sinal)... A vida com "Ela" me faz bem!!