sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Japonismo

A cultura japonesa me encanta em muitos aspectos e não foi à toa que eu fui parar na Fundação Japão (SP) pra fazer um curso sobre japonismo. Lá descobri que os japoneses influenciaram totalmente os impressionistas europeus. Lá na Fundação Japão também fui ver uma palestra do designer Jum Nakao e cheguei a ficar emocionada. Me encanta também o trabalho dos estilistas japoneses Issey Miyake e Yohji Yamamoto. Passear no bairro da Liberdade (SP) também me deixa feliz... Talvez o mais encantador dessa cultura - e que se manifesta no acabamento final de um simples pacote de bala ou nas mínimas atitudes - seja a ausência completa de displicência em todas as esferas de seu pensamento. Nada é arbitrário, nada é "de qualquer jeito". Isso fica claro no filme A Partida, do diretor Yojiro Takita. O personagem Daigo toca violoncelo numa orquestra que vai à falência e é fechada. Endividado pela compra do instrumento e no olho da rua, ele arruma um emprego de agente funerário. O trabalho inusitado requer a manipulação de pessoas mortas, desde transportá-las ao caixão até maquiá-las e vesti-las. O cuidado com que isso é feito revela muito do jeito japonês (talvez oriental?) de enxergar o mundo. Idealizações à parte, o filme mostra um grau de delicadeza e cuidado poucas vezes manifesto no dia a dia. Imperdível!

3 comentários:

jmarcos disse...

O respeito com que o ofício de "embalar" mortos é executado realmente comove. Mas o oriente não é só tradição e respeito, tem as suas contradições também. A forma abrutalhada com que o "dono" da orquestra comunica o fechamento da mesma é digna dos vikings...
Liberdade mesmo é tomar Pobá! Quero ver se guenta outro copão...

Flavia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavia disse...

A delicadeza, os gestos e o respeito desse personagem são comoventes mesmo. Eu sempre tenho vontade de comprar um pacote de arroz liinndo que tem lá na Liberdade. E um dia estava passeando por lá e um japones me perguntou se eu era descendente de japones Eu? E nem tava de óculos escuros! Morro de vontade de conhecer os cenários de Lost in Translation e Dolls.
O Japão é fascinante. E supreendente!