sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Vê se sobrevive menos e vive mais!

Fazer balanço de final de ano é inevitável a essa altura do campeonato. Mas não vou fazer isso aqui. O texto a seguir não foi escrito por mim, mas eu queria que todas as pessoas que amo lessem também, sabe? Enfim, ele me foi repassado por uma amiga e escrito por um amigo dela... Eu sei que é comprido (eu não tenho muita paciência pra ler texto gigante em blog, não sei por quê), mas vale cada palavra.*
Ontem caí da escada. Caí feio. Achei que tinha quebrado alguma coisa. Bati o rosto, a perna esquerda, o ombro, o pé esquerdo. A orelha rasgou e um pouco de sangue correu. Lá embaixo, sozinho, no escuro, achei que a coisa era séria. Não sentia meu dedão do pé, meu ombro e meu rosto ardiam fogueira e a orelha parecia ter rasgado inteira. Tava tonto e sem precisão na passada. Da hora que eu caí até chegar lá em cima e avisar a Roberta do que tinha acontecido, passou muita coisa na minha frente. Muita coisa. Achei que minhas férias tinham ido pro saco e passaria o natal vendo tv em algum quarto de hospital. Pensei em merecimento e castigo ou vice-versa. Arrependimento e correria. Sagrado e profano. Juizo e juiz. Pensei nas águas de cachoeira. No jantar sem luz com velas trazidas dos vizinhos. Pensei na jogatina de noitada, regada a Jack Daniels e água de torneira. Pensei nas pessoas que seriam revistas e sorrisos de lembrança. Nas caras de surpresas de quem vê pela primeira vez. Nas piadas renovadas e novos amigos de bebedeira. Pensei no descanso e retomada. Oxigênio. Hoje, tá tudo bem. Susto. Mais um. E a gente não fica esperto, né não? Esse ano foi pesado. Trabalhei no exagero, cuidei da família, procurei novos caminhos, exigi. Às vezes, descaradamente errado. Às vezes, passando por cima de tudo. Às vezes, querendo pra mim o que não era meu. Às vezes, enfrentando o destino. Passando à frente dele, sem compaixão nem cuidado, nem respeito. Deu no que deu. Definitivamente não sou cético. Tombar sem quebrar não é brinquedo, não. Copo que cai e não quebra vira pote de cristal. Sai diferente do que entrou. Falávamos sobre isso no jantar. Pequenos milagres cotidianos. Pequenos e gigantescos milagres cotidianos. E quando eles aparecem, a gente sabe que, naquele momento, existe algo especial. E se dá a liga. Nunca mais desmemória. Nunca mais deslumbramento ou descompromisso. Nunca mais descuidado. Foi isso. Um tapinha na cara pra dizer: - E aí, velho, tu não aprende? Tá nos 40 e não aprende? Porra, velho, vê se sobrevive menos e vive mais. Pra que essa correria? Amanhã o sol vai nascer de novo e provavelmente vc vai estar dormindo. Como sempre. E aí? Correu, correu, não olhou nem pro lado, não sabe quem tava lá, junto, esperando o farol abrir, não deu nem bom dia, não sentou pra comer. Abre o olho, japonês! Mais uma: hoje Sebastião esteve na casa da lapa. Filho de Julinho e Vana. 3meses de intensa sabedoria que se renova sempre. Aí, a gente percebe que estamos na velocidade errada. Pra entrar no mundo deles, reduz-se a marcha, tira o pé do acelerador, abre a janela, põe o braço pra fora e manda um sinal pro cara de trás ultrapassar. Dá tempo pra ver o pôr-do-sol, quase ouvir a conversa lá de fora, perceber a chuva de vaga-lumes, a revoada das maritacas, perguntar que música era aquela e parar na barraca da água de coco. Sebastião, Miguel Salvador, Maria, Teresa, Martim. E muitos outros milagres cotidianos. Lembro do filho que não tive e penso no que quero ter. Um de vários. Razão necessária. Missão redentora. Sonho possível. Existe algo mais importante? Não sei. Definitivamente não sei. Tentarei só não deixar os novos nem os velhos conhecidos de batalha no andar de baixo, quebrados ou não. Só isso. Casadalapa, 3 de fevereiro, Almirante, amigos moldados na campanha, na distância ou aqui da rua, do boteco da esquina. A história se refaz a cada dia. E com as noites do meio pra disfarçar a urgência. A extrema urgência da tranqüilidade.Ontem caí na real. Caí bonito.
*A trilha sonora pode ser Nina Simone!

2 comentários:

jmarcos disse...

Somos o melhor do pior!

Paulo Polzonoff Jr disse...

Oi, pessoal.

Antes de mais nada, desculpe. Sei que isto é chato e até um pouco deselegante. Mas sou novo neste mundo dos food-blogs. Novo e empolgado. Queria que vocês dessem uma olhada no meu site de jornalismo gastronômico: Comensais. Começou no dia 7 de janeiro. Está engatinhando ainda. Tenho certeza de que vai melhorar.

Abraços e beijos,